40 anos do Geempa
No
próximo dia 9, o Grupo de Estudos sobre Educação,
Metodologia de Pesquisa e Ação, comemora 40 anos de
fecunda atuação em prol da melhoria do ensino para
alunos, sobretudo de escolas públicas.
O
Geempa comemora os seus 40 anos em pleno vigor de três
grandes projetos, um nacional, um estadual e vários
municipais para alfabetizar alunos, o grande desafio da
educação no mundo.
O
programa da festa de aniversário do Geempa começa no dia
7, com 8 horas de estudo sobre a introdução ao ensino de
matemática à luz do pós-construtivismo na sede do
Geempa, à rua Lopo Gonçalves, 511.
A
programação continua num “kerb” de 3 dias, 8, 9 e 10, no
Salão de Atos da Reitoria da UFRGS, com momentos de
estudos coordenados por Sara Pain e Gérard Vergnaud,
ambos de Paris, Esther Grossi, Antanas Mockus, filósofo
e matemático colombiano, psicólogas Marilene Proença e
Adriana Marcondes Machado da USP e, um grupo de
eminentes antropólogas.
A
inscrição simbólica para este Fórum de Estudos é a
aquisição de R$45,00 (quarenta e cinco reais) em
publicações do Geempa e pode ser feita entre às 7 e 8
horas da manhã do dia 8 de setembro, próxima
quarta-feira no saguão do Salão de Atos da Universidade
do Rio Grande do Sul.
Dinomir na Copa do Mundo
Por
ocasião desta Copa do Mundo,muitos professores estão
elaborando atividades didáticas sobre os jogos na África
do Sul. Complementamos sua criatividade com a pequena
história trabalhada na aula de Denise Paiva Gravi de Dom
Pedrito/RS com o Dinomir, personagem clássico de alunos
do GEEMPA.







Em 2006, o GEEMPA
produziu um grosso Caderno de Atividades sobre a Copa do
Mundo, cuja capa se vê a seguir.

Estudos Geempianos II 2010
Dia 13
de junho na sede do GEEMPA, em Porto Alegre, vinte e
nove professores se reuniram para aprofundar
conhecimentos sobre ensino e aprendizagem. O primeiro
tema abordado foram as relações entre arte-cultura e
educação. E o segundo objeto de estudo foram fragmentos
do livro de Jacques Ranciére – O mestre ignorante. Os
fragmentos seguem abaixo:
(1) O
problema é revelar uma inteligência a ela mesma.
Qualquer coisa serve para fazê-lo. É Telêmaco. Pode ser
uma oração ou uma canção que a criança ou o ignorante
saiba de cor. Há sempre alguma coisa que o ignorante
sabe e que pode servir de termo de comparação, ao qual é
possível relacionar uma coisa nova a ser conhecida.
(2)
Quem ensina sem emancipar, embrutece. E quem emancipa
não tem que se preocupar com aquilo que o emancipado
deve aprender. Ele aprenderá o que quiser, nada, talvez.
Ele saberá que pode aprender porque a mesma inteligência
está em ação em todas as produções humanas, que um homem
sempre pode compreender a palavra de um outro homem. O
impressor de Jacotot tinha um filho que era débil
mental. Todos se preocupavam por não poder fazer nada a
respeito. Jacotot lhe ensinou o hebraico e a criança
tornou-se um excelente litógrafo. O hebreu, é evidente,
jamais lhe serviu para nada – a não ser para saber o que
as inteligências mais bem dotadas e mais instruídas
ainda ignoravam, e não se tratava do hebraico.
(3)
Não se trata de um questão de método, no sentido de
formas particulares de aprendizagem, trata-se de uma
questão propriamente filosófica: saber se o ato mesmo de
receber a palavra do mestre – a palavra do outro – é um
testemunho de igualdade ou de desigualdade. É uma
questão política: saber se o sistema de ensino tem por
pressuposto uma desigualdade a ser “reduzida” ou uma
igualdade a ser verificada. É por isto que o discurso de
Jacotot é o mais atual possível.
(4)
Ele preveniu: a distância que a Escola e a sociedade
pedagogizada pretendem reduzir é aquela de que vivem e
que não cessam de reproduzir. Quem estabelece a
igualdade como objetivo a ser atingido, a partir da
situação de desigualdade, de fato a posterga até o
infinito. A igualdade jamais vem após, como resultado a
ser atingido. Ela deve sempre ser colocada antes. A
própria desigualdade social já a supõe: aquele que
obedece a uma ordem deve, primeiramente, compreender a
ordem dada e, em seguida, compreender que deve
obedecer-lhe. Deve, portanto, ser já igual a seu mestre,
para submeter-se a ele. Não há ignorante que não saiba
uma infinidade de coisas, e é sobre este saber, sobre
esta capacidade em ato que todo ensino deve se fundar.
Instruir pode, portanto, significar duas coisas
absolutamente opostas: confirmar uma incapacidade pelo
próprio ato que pretende reduzi-la ou, inversamente,
forçar uma capacidade que se ignora ou se denega a se
reconhecer e a desenvolver todas as consequências desse
reconhecimento. O primeiro ato chama-se embrutecimento e
o segundo, emancipação. No alvorecer da marcha triunfal
do progresso para a instrução do povo, Jacotot fez ouvir
esta declaração estarrecedora: esse progresso e essa
instrução são a eternização da desigualdade. Os amigos
da igualdade não têm que instruir o povo, para
aproximá-lo da igualdade, eles têm que emancipar as
inteligências, têm que obrigar a quem quer que seja a
verificar a igualdade de inteligências.
(5)
Bastaria dizer à inteligência que dormita em cada um:
Age quod agis, continua a fazer o que fazes, “aprende o
fato, imita-o, conhece-te a ti mesmo, é a marcha da
natureza”. Repete metodicamente o método do acaso que te
deu a medida de teu poder. A mesma inteligência está em
ação em todos os atos do espírito humano. Este é, no
entanto, o salto mais difícil. Quando necessário, todos
praticavam esse método, mas ninguém está pronto a
reconhecê-lo, ninguém quer enfrentar a revolução
intelectual que ele implica. O círculo social, a ordem
das coisas, proíbe que ele seja reconhecido pelo que é:
o verdadeiro método pelo qual cada um aprende e pelo
qual cada um descobre a medida de sua capacidade. É
preciso ousar reconhecê-lo e prosseguir a verificação
aberta de seu poder. Sem o que, o método da impotência,
o Velho, durará tanto quanto a ordem das coisas.
(6)
Mestre é aquele que encerra uma inteligência em um
círculo arbitrário do qual não poderá sair se não se
tornar útil a si mesma. Para emancipar um ignorante é
preciso e suficiente que sejamos, nós mesmos,
emancipados; isto é, conscientes do verdadeiro poder do
espírito humano. O ignorante aprenderá sozinho o que o
mestre ignora, se o mestre acredita que ele o pode, e o
obriga a atualizar sua capacidade: círculo da potência
homólogo a esse círculo da impotência que ligava o aluno
ao explicador do velho método (que denominaremos, a
partir daqui, simplesmente de Velho). Mas a relação de
forças é bem particular. O círculo da impotência está
sempre dado, ele é a própria marcha do mundo social, que
se dissimula na evidente diferença entre a ignorância e
a ciência. O círculo da potência, quanto a ele, só
vigora em virtude de sua publicidade. Mas não pode
aparecer senão como uma tautologia, ou um absurdo. Como
poderá o mestre sábio aceitar que é capaz de ensinar tão
bem aquilo que ignora quanto o que sabe? Ele só poderá
tomar essa argumentação da potência intelectual como uma
desvalorização de sua ciência. E o ignorante, por sua
vez, não se acredita capaz de aprender por si mesmo –
menos, ainda, de instruir um outro ignorante. Os
excluídos do mundo da inteligência subscrevem, eles
próprios, o veredicto de sua exclusão. Em suma, o
círculo da emancipação deve ser começado.
(7) Há
embrutecimento quando uma inteligência é subordinada a
outra inteligência. O homem – e a criança, em particular
– pode ter necessidade de um mestre, quando sua vontade
não é suficientemente forte para colocá-la e mantê-la em
seu caminho. Mas, a sujeição é puramente de vontade a
vontade. Ela se torna embrutecedora quando liga uma
inteligência a uma outra inteligência. No ato de ensinar
e de aprender há duas vontades e duas inteligências.
Chamar-se-á embrutecimento à sua coincidência. Na
situação experimental criada por Jacotot, o aluno estava
ligado a uma vontade, a de Jacotot, e a uma
inteligência, a do livro, inteiramente distintas.
Chamar-se-á emancipação à diferença conhecida e mantida
entre as duas relações, o ato de uma inteligência que
não obedece senão a ela mesma, ainda que a vontade
obedeça a uma outra vontade.
(8) As
duas estão, sobretudo, presas no círculo da sociedade
pedagogizada. Elas atribuem à Escola o poder
fantasmático de realizar a igualdade social ou, ao
menos, de reduzir a “fratura social”. Mas este fantasma
repousa, ele próprio,sobre uma visão da sociedade em que
a desigualdade é assimilada à situação das crianças com
retardo. As sociedades do tempo de Jacotot confessavam a
desigualdade e a divisão de classes. A instrução era,
para elas, um meio de instituir algumas mediações entre
o alto e o baixo: um meio de conceder aos pobres a
possibilidade de melhorar individualmente sua condição e
de dar a todos o sentimento de pertencer, cada um em seu
lugar, a uma mesma comunidade. Nossas sociedades estão
muito longe desta franqueza. Elas se representam como
sociedades homogêneas, em que o ritmo vivo e comum da
multiplicação das mercadorias e das trocas anulou as
velhas divisões de classes e fez com que todos
participassem das mesmas fruições e liberdades. Não mais
proletários, apenas recém-chegados que ainda não
entraram no ritmo da modernidade, ou atrasados que, ao
contrário, não souberam se adaptar às acelerações desse
ritmo. A sociedade se representa, assim, como uma vasta
escola que tem seus selvagens a civilizar e seus alunos
em dificuldade a recuperar. Nestas condições, a
instrução escolar é cada vez mais encarregada da tarefa
fantasmática de superar a distância entre a igualdade de
condições proclamada e a desigualdade existente, cada
vez mais instada a reduzir as desigualdades tidas como
residuais. Mas a tarefa última desse sobre-investimento
pedagógico é, finalmente, legitimar a visão oligárquica
de uma sociedade-escola em que o governo não é mais do
que a autoridade dos melhores da turma. A estes
“melhores da turma” que nos governam é oferecida então,
mais uma vez, a antiga alternativa: uns lhe pedem que se
adapte, através de uma boa pedagogia comunicativa, às
inteligências modestas e aos problemas cotidianos dos
menos dotados que somos; outros lhe requerem, ao
contrário, administrar, a partir da distância
indispensável a qualquer boa progressão da classe, os
interesses da comunidade.
(9)
A igualdade, ensinava Jacotot, não é nem formal nem
real. Ela não consiste nem no ensino uniforme de
crianças da república nem na disponibilidade dos
produtos de baixo preço nas estantes de supermercados. A
igualdade é fundamental e ausente, ela é atual e
intempestiva, sempre dependendo da iniciativa de
indivíduos e grupos que, contra o curso natural das
coisas, assumem o risco de verificá-la, de inventar as
formas, individuais ou coletivas, de sua verificação.
Essa lição, ela também, é mais do que nunca atual.




-
Ana Claudia Figueroa –
Porto Alegre/RS
-
Ana Cleide Jorge Alves –
Canindé/CE
-
Bianca Cortes – Betim/MG
-
Denise Gravi – Dom
Pedrito/RS
-
Edite Mioleit –
Florianópolis/SC
-
Eliza Dias – Porto
Alegre/RS
-
Esther Pillar Grossi –
Porto Alegre/RS
-
Flávia Rodrigues –
Brasília/DF
-
Ita Maria Fiorin da
Silva – Giruá/RS
-
Janice Viegas Pereira –
Porto Alegre/RS
-
Josiane Soares Martins –
Porto Alegre/RS
-
Krisnia Dias Barros –
Betim/MG
-
Lucimabia Mota –
Itucuruí/PA
-
Maria Lucia Amaral –
Betim/MG
-
Maria Tereza Albornoz –
Porto Alegre/RS
-
Marilei dos Santos
Robinson – Crissiumal/RS
-
Maristela Piber Maciel –
Porto Alegre/RS
-
Marli Cardoso –
Florianópolis/SC
-
Nair Tuboiti –
Brasília/DF
-
Natália Bonfim da Luz –
Santo Ângelo/RS
-
Regina Ruzza –
Florianópolis/SC
-
Soraia Fernandes –
Caldas Novas/SC
-
Sueli Weber –
Florianópolis/SC
-
Suzana Marques – Porto
Alegre/RS
-
Suziani Maffini – Porto
Alegre/RS
-
Tânia de Jesus – São
Luís/MA
-
Tuani de Moraes – Porto
Alegre/RS
-
Valéria Redon –
Londrina/PR
-
Vera Filomena de Moraes
– Porto Alegre/RS
Geempa cria certificado de
qualidade
A ONG educacional Geempa
instituiu certificado de qualidade, similar ao ISO, para
escolas que tiveram 100% de alfabetização em alguma
turma, em um ano letivo, com a proposta
pós-construtivista. A entrega ocorrerá aos respectivos
diretores no início deste ano letivo. Já os
participantes do programa do Geempa, de 1º e 2º ano do
ensino fundamental, em parceria com a SEC e SMEds, têm a
disposição o certificado de presença nos cursos iniciais
e/ou assessorias.
Correção de Fluxo na
Alfabetização
O Geempa inicia na próxima
semana os cursos para alfabetizadores no Programa do
Ministério da Educação de Correção de Fluxo Escolar na
Alfabetização. Este programa visa alfabetizar alunos a
partir do 2º ano do Ensino Fundamental que ainda não
sabem ler, no contra-turno ao das turmas regulares às
quais elas fazem parte.
Em todo o Brasil são 249
municípios que estão sob a responsabilidade do Geempa,
neste programa, beneficiando 203.089 alunos. Cada
município assina um termo de compromisso atualizando sua
adesão. Esta adesão foi selada no final de 2008 o que
garante um curso de 120 horas para todo professor
alfabetizador, mais um rico material didático para
apoiar a ação docente. O material didático
disponibilizado consta de 8 livros para os professores,
3 Cadernos Didáticos para cada aluno, jogos, baralhos e
alfabetos móveis.
No Rio Grande do Sul foram
contemplados neste programa os seguinte municipios:
Alvorada, Arvorezinha, Coronel Bicaco, Dom Pedrito,
Engenho Velho, Giruá, Gravataí, Monte Alegre, Paim
Filho, Palmeira das Missões, Pinheiro Machado, Rio
Grande, Santa Maria, Santana da Boa Vista, São Pedro do
Sul, Vicente Dutra, Cambará do Sul, São Sebastião do Caí
e São José do Norte.
A sequência dos 3 primeiros
cursos acontece em Minas Gerais, na Bahia e no Maranhão.
Desabafo de uma mãe
taquariense
Taquari, 17 de dezembro de 2009.
Olá,
Foi com
muita alegria que recebi a notícia de que as professoras
das turmas dos 1ºs. anos A e B, do Instituto Estadual de
Educação Pereira Coruja, receberão premiação pela
alfabetização 100% dos seus alunos.
Há
alguns meses tive vontade de escrever-lhes para
mencionar os meus sentimentos em relação a este método
de alfabetização, mas como também sou professora,
faltava-me tempo para sentar e organizar as ideias
acerca dos fatos.
Minha
filha estuda na escola acima mencionada e achei, desde o
início, o método um pouco estranho. Durante a faculdade
estudamos as teorias da aprendizagem e confesso que os
conteúdos desenvolvidos não foram aprofundados. Assim, a
noção que eu tinha de alfabetização limitava-se à
fórmula que recebi quando criança, ou seja, B + A = BA.
Partindo do princípio de que o novo nos incomoda, aliás,
nos desacomoda, cheguei a pensar que a minha querida
Bárbara não estaria alfabetizada no final deste ano. E
para a minha surpresa, ela está nestes 100% de alunos
alfabetizados. Ela não é mais um número. Minha filha é
um pequeno ser em pleno desenvolvimento que conseguiu
alfabetizar-se. A minha pequena grande Bárbara foi
crescendo a cada dia. Chorou muitas vezes porque se
sentia insegura. Também chorei muitas vezes por não
acreditar na proposta e fui, em todas elas, amparada e
instruída pelas professoras Jussara Juliano, Andréa
Jardim e Simone Vitalina de Souza. Estas professoras
deram-me a segurança que eu precisava para enfrentar
junto da Bárbara esta bela jornada em busca do
conhecimento.
Com os
livros pudemos viajar nas histórias do Elefantinho, do
Choco, do Dognauta e do Dinomir. Belas histórias com
significados pertinentes para cada etapa a ser
assimilada pelos pequenos. E o passeio ao Museu da PUC,
tantas coisas pra se conhecer, dinossauros, fontes,
terremotos, botões, escadas rolantes, animais da selva e
do mar. Os alunos foram ao museu e também puderam
vivenciar as emoções sentidas por Dinomir, o gigante.
Através
deste desabafo quero parabenizá-los pela proposta e
dizer que hoje sou uma defensora inflamada do método de
alfabetização do GEEMPA. Que venham novos estudos. Que
venha a consolidação da proposta. Que venha a
disseminação nas outras escolas. Que a proposta não se
restrinja só ao 1º ano, mas que perdure e que cada vez
mais se construa o conhecimento. Que cada vez mais
alunos possam ser 100% alfabetizados!
Um
grande abraço,
Daniela Cristine Jantsch
Prêmio Alfabetização 100%
Duzentos e dois professores se inscreveram para
concorrer ao prêmio Alfabetização 100% que o GEEMPA
outorga aos docentes que, neste ano letivo de 2009,
ensinaram ler e escrever a todos os alunos de sua turma.
São
professores de 120 municípios do Rio Grande do Sul, que
receberam capacitação e assessoria do GEEMPA para
implementar proposta pós-construtivista de ensino na
alfabetização e em matemática sob os auspícios da
Secretaria de Educação do Estado e de 20 municípios que
fizeram convênio com o GEEMPA.
A
premiação ocorrerá na manhã de 19 dezembro de 2009, no
Theatro São Pedro.

Correção de Fluxo Escolar
O
Geempa inicia a organização do Programa de Correção de
Fluxo Escolar para o qual é convocado pelo Ministério da
Educação a fim de atender de manda de 249 municípios
brasileiros, empenhados em alfabetizar 203.000 alunos
frequentando a 2º, 3º, 4º... 8º ano do ensino
fundamental que ainda não estão alfabetizados.
Os
municípios gaúchos da lista que segue devem entrar em
contato pelo telefone (51) 3332-9292 ou (51) 97129119.
Alvorada, Arvorezinha, Bossoroca, Cambará do Sul,
Coronel Bicaco, Dom Pedrito, Engenho Velho, Giruá,
Gravataí, Monte Alegre dos Campos, Paim Filho, Palmeira
Das Missões, Pinheiro Machado, Rio Grande, Santa Maria,
Santana da Boa Vista, São José do Norte, São Pedro do
Sul, São Sebastião do Caí e Vicente Dutra, para
tratativas e previsão das primeiras atividades de
implementação.
Há 39 anos atrás
Há 39 anos atrás, também
numa quarta-feira, nascia o GEEMPA: Grupo de Estudos
sobre o Ensino da Matemática de Porto Alegre.
Cinqüenta professores se
reuniram, numa noite chuvosa, na sala do Laboratório de
Matemática do Instituto de Educação General Flores da
Cunha e se constituíam como um grupo de estudos.
Gostavam de matemática e se agruparam para estudar.
Queriam estudar como levar também os alunos a gostarem
desta disciplina. Nesta época, avaliar fazia parte da
tarefa docente e resultados , em matemática, eram os
mais baixos e ainda por cima a maioria dos alunos não
gostavam de matemática. E os professores desta matéria
porque dela gostavam, queriam pensar como fazer com que
alunos também descobrissem os encantos dessa poética da
lógica das relações, que é a essência da matemática.
E começaram promovendo
estudo, pois dez dias após a fundação em ata conservada
nos arquivos do Geempa e redigida por Valda Antunes,
realizavam o primeiro, de muitíssimos outros cursos,
sobre como ensinar a matemática, á luz da revolução que
ocorria sob o nome de “matemática moderna”.
E da matemática o Geempa
passou à alfabetização quando, na Vila Santo Operário,
em 1979 se flagrou que podia ensinar muito pouca
matemática para tantos alunos que não aprendiam sequer a
ler e a escrever nas escolas.
E da alfabetização o Geempa
se ampliou para a educação, na esteria dos tremendos
avanços que as ciências sobre aprendizagem passaram a
brindar a cena ensinante a partir de Piaget, de
Vygotski, de Wallon e de Emilia Ferreiro, de Sara Pain e
de Gerard Vergnaud, secundados pelas contribuições da
antropologia com Marcel Mauss e outros mais nessa área,
da psicanálise como Freud e Lacan e de tantos outros
domínios que convergentemente vem estruturando uma nova
compreensão sobre quem e como se aprende. Muito
particularmente pioneiros em neurologia e pediatria tem
iluminado os caminhos das possibilidades de aprender
quando superam o organicismo e “percebem nossas células,
auscultando pensamentos e sentimentos, para
funcionarem”.
Como uma conseqüência
magnífica concluiu-se que “todos podem aprender”,
conclusão perturbadora e revolucionária não só para a
pedagogia mas para todas as áreas que tentam nos
explicar.
E aí, está o Geempa quase
quarentão, empenhado um fazer valer, para felicidade
geral, que a inteligência é um processo acessível a
TODOS. Mas, encontrando muitas resistências, as
resistências ao novo, ao inusitado, ao surpreendente.
Resistências às exigências de mudar muito, para impor a
coerência de democratizar o acesso aos conhecimentos,
face ao histórico fenômeno de nunca atingir 100% neste
acesso. Aliás, de só oportunizá-lo a uma minoria,
criando uma das piores desigualdades no poder e no
prazer de pensar.
Como “não está morto quem peleia”, o Geempa comemora seus 39 anos preparando a
implementação para 203 mil alunos em 240 municípios de
todos os estados brasileiros, do programa pós –
construtivista de Correção de Fluxo Escolar que visa
alfabetizar quem, no 2º, 3º ou 4º ano do ensino
fundamental ainda não logrou a aventura de saber como as
letras se juntam para formar as palavras, com as quais,
mais do que na fala, pela escrita, nós podemos pensar
melhor, para sentir e agir com mais satisfação.
Esther Pillar Gossi
Doutora em Psicologia da
Inteligência pela Universidade de Paris
Presidente do Geempa
O Troféu Palmares
A
entrega do prêmio Troféu Palmares, que ocorreu em
Brasília no último dia 22 encerrou a programação do 21º
aniversário da Fundação Cultural Palmares com desfile de
moda afro e show de Luiz Melodia, no Teatro Nacional.
O
Troféu Palmares foi criado em reconhecimento a pessoas,
expoentes da sociedade brasileira, que contribuam para o
exercício do respeito, à diversidade e à cidadania e que
tenham se dedicado à causa da cultura afro-brasileira.
Uma das
premiadas, a professora e Esther Grossi, conta da sua
luta pela educação básica no país e como trabalha pela
aplicação da lei 10.639/2003, que instituiu a
obrigatoriedade do ensino da História e Cultura da
África e dos afro-brasileiros nas grades curriculares do
ensino médio e fundamental. "A primeira lei sancionada
pelo presidente Lula", conta ela, orgulhosa.
O
evento contou também com a presença da senadora Marina
Silva para o lançamento do novíssimo Caderno de
Atividades do Geempa chamado ‘Abrindo as portas da
escrita’,
tendo como contexto o emocionante relato
de Marina Silva, sobre sua própria alfabetização.

Um presente, com o qual se brinda a
muitos. Não só aos que buscam se alfabetizar, mas a
todos os que estão realmente empenhados em existir, pois
para existir é preciso estar sempre aprendendo.
Primeiras Assessorias de
2009
O programa de alfabetização
e de pós-alfabetização do Geempa, depois de um curso
inicial de 5 dias, a cada dois meses, complementa-se com
mais dois dias de Assessoria.
Desde o dia 11 de maio até o
dia 23 deste mesmo mês, sucederam-se grupos de
aproximadamente 150 professores fazendo uma cuidadosa
programação de estudos em cima da prática vivida em suas
salas de aula, a qual leva o nome de Assessoria
Didático-pedagógica.
Assessoria é um dos momentos
do programa de alfabetização e de pós-alfabetização do
Geempa, que se repete três vezes ao ano. Tem duração de
dois dias de estudo que se dividem em três partes.
A primeira é a da análise do
que vem acontecendo nas turmas.
A segunda é de fundamentação
teórica.
A terceira é de planejamento
das ações pedagógicas e didáticas para o futuro
imediato.
Por sua vez a primeira parte
se subdivide em três, a saber, a análise do processo de
aprendizagem geral dos alunos; a segunda, o processo de
ensinagem dos professores e a terceira, o olhar sobre os
alunos que aprenderam mais sobre os que aprenderam
menos, nos meses que precederam a assessoria.
Todos os professores
participantes de uma assessoria trazem os seguintes
documentos:
1. Gráficos de escadas do
processo de aprendizagem de cada aluno, bem como a nave,
ou seja, a representação da rede completa de hipóteses
que é captada em aula-entrevista individual com os
alunos;
2. Folha de registro da
presença dos alunos;
3. Mapas dos grupos áulicos;
(grupos de estudo)
4. Relato das reuniões de
estudo semanal com colegas professores;
5. A descrição do melhor dia
de aula;
6. O perfil dos alunos que
aprenderam mais e dos alunos que aprenderam menos.
Primeira aula-entrevista:

Segunda aula-entrevista:

Vê-se que em menos de dois meses
reduziu-se de 80% dos alunos até o 2º nível PS2,
para 43%. Isto é muito significativo. Sobretudo, porque
estes são dados objetivos, a respeito do processo
efetivo das aprendizagens em aula, o que não costuma ser
avaliado no ensino convencional.