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Quem Somos

As finalidades da instituição são o estudo e a pesquisa para o desenvolvimento das ciências da educação, a realização de ações efetivas visando a melhoria da qualidade do ensino, junto a professores e técnicos que atuam na área educacional, assim como junto a autoridades responsáveis pelo planejamento e execução da política educacional e a formação e orientação de professores, técnicos e profissionais ligados à educação.

A história do Geempa é feita da realização de projetos de pesquisa, de projetos de formação continuada de professores e de mais de uma centena de programas de implementação concreta da ação ensinante a alunos da educação básica, ininterruptamente durante seus mais de 37 anos de existência.

O Geempa funciona a partir da filiação de sócios em três categorias, a saber, contribuintes, efetivos e honorários, em sistema democrático de escolha de seus dirigentes que além da Diretoria e do Conselho Fiscal, compreende um Conselho Técnico Científico, que dentre suas múltiplas atribuições, decide a passagem dos sócios contribuintes a efetivos.

São sócios contribuintes as pessoas interessadas em educação que se filiam ao Geempa, preenchendo ficha de inscrição, pagando mensalidade com direito a receber boletim informativo das atividades do Geempa e a ter desconto em taxas de inscrição nas atividades de formação continuada de professores assim como na aquisição de livros e materiais didáticos produzidos pelo Geempa. Passam à categoria de sócios efetivos os sócios contribuintes que apresentam regularmente produção pedagógica ou científica avaliada pelo Conselho Técnico Científico como pertinente com às finalidades do Geempa e somente a eles são outorgadas tarefas avalizadas pela entidade. São sócios honorários aqueles que prestaram relevantes e reconhecidos serviços à causa educacional cujos currículos são analisado em assembléia geral dos sócios do Geempa. A Diretoria e o Conselho Fiscal do Geempa são eleitos a cada 3 anos. O Conselho Técnico Científico do Geempa é hoje constituído por 17 doutores, 13 mestres e 23 especialistas.

As atividades do Geempa são conduzidas de forma interdisciplinar com a contribuição de professores em diversas disciplinas escolares, de especialistas, mestres e doutores, em várias áreas do conhecimento e gestores com competências específicas. Fruto deste histórico o Geempa produziu mais 40 títulos de livros e 10 números de periódico corrente.


Nasce um grupo de estudos sobre o ensino da Matemática

O GEEMPA foi organizado por um grupo de 50 professores presentes à assembléia de sua fundação, realizada a 10 de setembro de 1970, na sala do Laboratório de Matemática do Instituto de Educação General Flores da Cunha. Nos moldes de uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, o GEEMPA reunia profissionais decididos a investir em pesquisas e ações voltadas para a melhoria do ensino da Matemática, segundo o estatudo das vinculações com a formação e o desenvolvimento da inteligência, na perspectiva do construtivismo piagetiano.

Há mais 37 anos, portanto, a sigla GEEMPA - Grupo de Estudos sobre o Ensino da Matemática de Porto Alegre - já exprimia claramente o centro das preocupações desta instituição com a pesquisa científica na área de ensino-aprendizagem, a partir de experiências de propostas didático-pedagógicas em classes experimentais. Foi ainda com esta denominação que o GEEMPA funcionou até 1983, realizando importantes atividades de formação pessoal, de pesquisa e de divulgação do ensino da Matemática, sob a influência dos clássicos estudos piagetianos desenvolvidos no Centro Internacional de Epistemologia Genética (fundado no ano de 1955, em Genebra, sob os auspícios da Fundação Rockefeller) e das decisivas contribuições do Prof. Zoltan Paul Dyenes (da Hungria), que preconizava o estudo da Didática da Matemática e o espaço da sala de aula como um laboratório de investigação.


Os verdes anos de um grupo que desde logo se dedicou à pesquisa

Na trilha de pesquisas e estudos da Educação Matemática do GEEM, Grupo de Estudos sobre o Ensino da Matemática, de São Paulo, e dos encontros latino-americanos e europeus promovidos pelo Internetional Study Group for Mathematics Learning (ISGML), realizados na Hungria, Itália, Inglaterra e em outros países com desdobramentos na América Latina através de encontros de sua regionais em vários países, o GEEMPA inicia, nos anos 70, sua sólida reputação de instituição de pesquisa. Passados menos de três anos de sua fundação, em fins de 1973, esta instituição já havia organizado, com outros pesquisadores do mundo, a construção de uma proposta didática para o ensino da Matemática na oito séries do ensino de 1º Grau, através da sua participação num projeto de pesquisa transcultural que reunia diversos países (Canadá, Estados Unidos, Hungria e Brasil), tendo obtido, em termos comparativos, os melhores resultados de pesquisa num exigente e amplo design investigativo sobre o ensino da Matemática Moderna


Mestranda francesa estagia no Geempa.


Primeiros espaços de ocupação do GEEMPA


Em 1970, depois de assembléia de fundação, na sala do Laboratório de Matemática do Instituto de Educação, o GEEMPA foi albergado pelo Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e sua sede não foi mais do que um vão de escada no 3º andar do seu prédio, à rua Sarmento Leite. Do vão de escada, o GEEMPA, no próprio Instituto de Matemática, ocupou uma bela sala no alto de um dos torrões do prédio, de onde coordenou a I Jornada de Estudos de Matemática, com a presença do Dr. Zoltan Dienes.

Seu terceiro chão foi uma sala no colégio Julio de Castilhos, junto ao Centro de Ciências do Rio Grande do Sul (CECIRS).

Construindo um campo de atuação aberto às novas idéias, o GEEMPA, em 1978, consolida-se, assim, como instituição ao adquirir sua primeira sede, localizada à rua Luiz Manoel, 230 apto. 8. No decorrer do tempo, a ampliação dos sócios, das atividades de pesquisa e de suas ações tornaria pequena a primeira morada do GEEMPA. Boletins informativos, encontros entre pesquisadores, publicações, jornadas de estudos, palestras, seminários e cursos de formação faziam da sede do GEEMPA um foco de irradiação de novas e criativas linhas de pesquisa e investigação sobre o processo de ensino-aprendizagem, nos moldes dos grandes centros de estudos internacionais.

A venda de sua primeira sede torna-se, em fins dos anos 70, uma exigência face ao momento que se vivia de intensa criação e produção. Sempre velando por seu compromisso irrestrito com o destino do ensino e a pesquisa em Educação, a instituição muda novamente de endereço, situando-se agora na Rua Augusto Pestana, 72, apto. 6. Um simpático edifício, situado no bairro Bonfim. Uma nova morada onde seria possível abrigar a expansão das atividades da equipe de pesquisa da instituição tanto quanto acolher as atividades dos professores em processo de formação pelo GEEMPA, o berço de novas aventuras.

Tomás Varga - 1975
Maurice Glayman - 1976
Zoltan Dienes - 1972


GEEMPA muda de nome, mas conserva a sigla

Já nesta época pode-se observar o nascimento de alguns dos lemas que hoje a sigla GEEMPA veicula em suas ações: "só ensina quem aprende" e "todos podem aprender".

Chega-se, assim, ao ano de 1983. Em Assembléia Geral Extraordinária convocada po sua Diretoria, tendo como pauta a reforma dos Estatutos, os sócios do GEEMPA decidem pela alteração do nome da instituição tendo em vista a própria vitalidade de sua atuação irrestrita na área da Educação. Ampliam-se os objetivos estatuários, mas mantém-se a mesma sigla. O GEEMPA passa, então, a denominar-se Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação, tendo por finalidade o estudo, a pesquisa e a ação para o desenvolvimento das ciências da educação.

Portanto, foi nos ritmos instaurados por uma intensa atuação ao longo da década de 70 que o GEEMPA dos anos 80 encaminha-se para sua adolescência. Os frutos de um trabalho meticuloso de pesquisa no âmbito das salas de aula, em classes experimentais, junto ao seu compromisso com a educação popular, começam a ser colhidos. No ano seguinte surge o primeiro Curso de Especialicação sobre Alfabetização em Classes Populares, na cidade de Porto Alegre / RS e, em 1985, forma-se a primeira turma de professores alfabetizadores capacitados nos quadros de uma pedagogia geempiana. Nos anos subseqüentes, a experiência será repetida com sucesso, em Porto Alegre, sendo disseminada progressivamente para outras cidades do estado e do país, como Rio de Janeiro, Niterói, Passo Fundo, Recife, São Paulo, São José do Rio Preto entre outras cidades.


Agora em terra firme: Sede na rua Lopo Gonçalves

Passados mais de 15 anos de sua fundação, em 1988 o GEEMPA muda novamente de endereço, tendo sido adquirida sua sede atual, à rua Lopo Gonçalves, 511. Uma bela casa ao estilo da arquitetura dos anos 40, com espaços para duas grandes salas de aula, uma ampla sala de reuniões, secretaria, recepção e cinco gabinetes de trabalho onde passam a funcionar seus departamentos de pesquisa. A vida institucional desde aí ganha novos contornos, mais precisos e mais profundos. Acrescendo-se de novos eixos temáticos de investigação e de novos pesquisadores, a instituição amplia ainda mais suas áreas de pesquisa e suas ações para além das fronteiras locais da sede.

Com intensa produção da equipe de pesquisa do GEEMPA, resultaram na publicação, pela Editora Kuarup, de seus primeiros livros: "Fazendo arte na alfabetização", "Alfabetização em classes populares" (1984) e "Alfabetização em novas bases" (1989), além de outras publicações realizadas pelo GEEMPA (cadernos, boletins, informativos) que progressivamente delineavam a sua marca singular no campo de estudos em torno da educação popular no país.

A próxima década seria, não só um tempo de colheita, mas um tempo de descobertas de novas formas de fecundar a "árvore do conhecimento". Os anos 90 irão forjar novos paradigmas para a pedagogia geempiana, os quais se anunciavam nos anos 80, ou seja, uma proposta construtivista pós-piagetiana de alfabetização para além do construtivismo piagetiano. Isto impunha novos desafios. Não se tratava apenas de prosseguir placidamente a linha de trabalhos que haviam inspirado as pesquisas de Jean Piaget sobre a construção da inteligência e se refletiam nos estudos da psicogênese da leitura e da escrita realiados por Emilia Ferreiro, ou de simplesmente seguir à risca a pedagogia do oprimido, na linha da proposta de Paulo Freire.


Colaborando com Secretarias de Educação e as Vanguardas Pedagógicas

O tempo para se aventurar em novas terras era propício. A chegada dos anos 90 abria novas e diferentes perspectivas para a equipe de pesquisa do GEEMPA em suas atuações de assessoria e consultoria junto às secretarias de educação, um movimento que já vinha ocorrendo, desde os anos 80, como foram os casos, por exemplo, da atuação do GEEMPA na Secretaria de Educação de Cachoeira do Sul / RS, Secretaria de Educação de Cuiabá / MS, Secretaria de Educação de Campinas / SP, Secretaria de Educação de Caxias do Sul / RS entre outras. Em 1989, a Coordenadora de Pesquisa da instituição, Professora Dra. Esther Pillar Grossi, assumia o cargo de Secretária Municipal de Educação de Porto Alegre e propôs o desafio de implantar uma proposta construtivistas nas escolas municipais.

Um profícuo trabalho de colaboração entre o GEEMPA e a SMED/POA, fez com que a equipe de pesquisa da instituição, durante os quatros anos que a Profa. Esther Pillar Grossi esteve na Secretaria da Educação, atuasse pontualmente no processo de formação de professores de séries iniciais das escolas da rede municipal. Na mesma ocasião, o projeto de formação de professores alfabetizadores, "Vanguardas Pedagógicas, alfabetização construtivista", traduzia-se na parceria do GEEMPA com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A série de publicações "Cadernos das Vanguardas Pedagógicas" que seguiram estes anos de trabalho junto a professores de várias cidades do Rio Grande do Sul tornou-se um produto significativo de três anos de atuação na área de formação de docentes para as séries iniciais do ensino fundamental.

Encerrada esta etapa, o GEEMPA retorna ao núcleo de suas reflexões e prosegue na realização de suas pesquisas nas áreas de Artes, Matemática, Estudos Sociais, em classes experimentais, além de promover novos recursos de especialização sobre os fundamentos teóricos e práticos da didática e pedagogia geempianas, seminários sobre educação infantil e jornadas de estudos sobre interlocução científica. Entre a equipe de pesquisa permanecia a incômoda interrogação em torno dos limites do construtivismo piagetiano para a construção de uma proposta didática de ensino-aprendizagem.

A experiência de envolvimento com o processo de generalização de uma proposta construtivista no âmbito de redes formais de ensino resultou em uma nova etapa de reflexões para a equipe de pesquisa do GEEMPA, cuja feição profissional se havia alterado em relação ao passado da própria instituição.

Vanguardas pedagógicas: 1991 - 1992 - 1993


GEEMPA pós-Piagetiano

Os questionamentos teóricos e conceituais que vinham se processando internamente entre a equipe de pesquisadores, ao longo dos anos, haveriam de alterar o destino da vida institucional. A pesquisa em classes experimentais, as assessorias e consultorias, os cursos diversos de formação de professores, as ações junto a secretarias de educação e escolas haviam conduzido o GEEMPA, cada vez mais, para um processo de ruptura com antigos paradigmas sobre o aprender e o ato de ensinar.

O momento certo havia chegado. A decisão foi a de retomar a audácia do gesto que presidia a memória do próprio ato de fundação do GEEMPA e, honrando seu próprio passado, autorizarmo-nos a ir além. Incomensurável memória aquela que nos guia aos tempos primordiais. No auge desta febre do tempo, o termo construtivismo pós-piagetiano é, então, cunhado por sua equipe de pesquisadores que recusava a monótona fatalidade da morte do espírito de investigação que havia gerado o GEEMPA e do qual eram herdeiros.

Nascia, assim, uma proposta construtivista pós-piagetiana em Educação, em meados da década de 90, único caminho possível para o GEEMPA estabelecer, na ocasião, as fronteiras simbólicas da atuação desta instituição no âmbito dos diversos paradigmas existentes para a teoria construtivista da aprendizagem.



Vira Brasília e Educação

Num prazo de dois anos (1995 / 1996), o projeto "Muda Brasil, a Educação" - realizado em duas etapas, com a subvenção do MEC / FNDE - é executado e produz seus efeitos. Um projeto voltado para a construção de uma proposta didático-pedagócica para o ensino fundamental, alfabetização e pós-alfabetização, com base no construtivismo pós-piagetiano advogado pelo GEEMPA, apoiado, mais uma vez, em estudos nas salas de aulas de escolas que pertenciam às redes estaduais e municipais de ensino de Porto Alegre.

O comportamento da instituição com o aprimoramento da pesquisa e dos estudos em educação popular e, no seu bojo, com a socialização da experiência positiva do projeto "Muda Brasil, a Educação" resultou na produção de uma publicação, "Roteiro de Alfabetização - O Prazer de se fazer leitor", a pedido do Ministério da Educação, publicação esta que reunia parte da experiência do GEEMPA com a criação e a utilização de materiais didáticos voltados para uma proposta construtivista pós piagetiana geempiana de alfabetização. Reafirmando suas convicções de que as aprendizagens se realizam mediante a resolução de problemas, o GEEMPA participa em atividades de formação de professores alfabetizadores, no Projeto "Vira Brasília a Educação", no Distrito Federal. A participação dos professores tinha uma condição: eles deveriam estar necessariamente atuando junto a uma turma de alunos. O projeto atingia a rede de ensino público do Distrito Federal e as salas de aulas de 3.000 docentes, de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries. Novamente o GEEMPA recolhia, com esta experiência, subsídios para estudar as formas de generalização de sua proposta em redes de ensino formal.

 
   


Alfabetização de adultos 1.000 mulheres

Assim foi que, ao longo de um período de quatro anos, e culminando no ano de 1998, os pesquisadores do GEEMPA reiniciam suas ações na área de educação popular, a partir do Projeto "Ler e Escrever de Verdade", novamente por demanda do MEC, em parceria com a ONG THEMIS.

O GEEMPA que havia se dedicado, em sua tenra infância ao estudo da Didática da Matemática e, na sua pré-adolescência, se voltara para a pesquisa com alfabetização de crianças e jovens de classes populares, iniciava-se na aventura do trabalho de alfabetização de 1000 mulheres jovens e adultas, em 3 meses, todas elas moradoras de periferias da cidade de Porto Alegre. A bússola para esta aventura em outras terras eram as experiências de mais de 20 anos da instituição em classes de alfabetização, com crianças e jovens de classes populares, além do excelente trabalho de Irene Terezinha Fuck, "Alfabetização de Adultos", produzido como monografia de conclusão do Curso de Especialização ministrado pelo próprio GEEMPA e, posteriormente, por seu mérito, publicado pela Editor Vozes.

A experiência com o projeto "Ler e Escrever de Verdade" culmina, assim, com o longo processo de maturação de uma proposta construtivista pós-piagetiana na área de educação popular. Para a pedagogia geempiana, o ser humano fica inteligente na medida em que aprende, e todos podem aprender. Idéias simples, mas revolucionárias, que impõem por si mesmas a redefinição do lugar da escola nas aprendizagens humanas, uma vez que se tornam a condição necessária para o acesso aos conhecimentos complexos que as ciências produziriam ao longo do tempo.

1000 mulheres aprendem a ler em 3 meses - 1997


O GEEMPA pós-construtivista

A experiência de mais de 20 anos de pesquisa no GEEMPA, acumulada na área de formação de professores e das aprendizagens de crianças, jovens e adultos, dentro e fora das redes formais de ensino, em classes laboratórios e fora delas, e em diferentes áreas de conhecimento (Matemática, Português, História, Artes e Geografia), apontava para o fato de que o fracasso e a evasão escolares, principalmente em segmentos populares, não são decorrentes da prática da avaliação escolar, mas devem-se à ausência de proposta pedagógicas que levem em conta os esquemas de pensamento dos alunos. Isto é, o professor precisa considerar, na sua prática didático-pedagógica, o processo de aprender dos seus alunos, segundo as diferentes áreas do conhecimento a que se dedica.

Poder-se-ia dizer que as conclusões das pesquisas se esgotariam com o projeto "Ler e Escrever de Verdade". Ao contrário, elas se dilatavam, se expandiam, invadindo novos domínios do conhecimento, num processo sem retorno às velhas certezas. O GEEMPA advogaria, a partir deste momento, uma redefinição da escola em suas bases e estratégias didáticas e pedagógicas. O instrumento mais poderoso que se precisa ser colocado à disposição do professor é o "saber ensinar". E, para que a "ensinagem" se processe, o professor precisa compreender, por um lado, que o ato de aprender consiste na elaboração de esquemas de pensamento e ação e que este ato possui uma dinâmica tributária de reconhecimento e sustentação do lugar daquele que ensina. Por outro lado, o professor necessita compreender que a construção desses esquemas de pensamento se enraíza nos contextos sociais e culturais e na convivência com as representações simbólicas dos alunos, as quais exigem uma intervenção direta e especial do docente a partir dos conceitos científicos que serão transpostos no contexto dos procedimentos e situações em sala de aula.

Os avanços na delimitação das fronteiras entre o construtivismo piagetiano e o construtivismo pós-piagetiano levaram o GEEMPA a uma afirmação contundente, fundamentada por todo um campo de pesquisas sobre ensino-aprendizagem: a base da produção do conhecimento no espaço escolar reside na compreensão do ensino como um caminho de duas mãos. Em uma delas, estão as atividades didáticas preparadas pelo professor. Na outra, estão os esquemas de pensamento dos alunos, ou seja, as hipóteses que eles fazem no rumo dos conceitos em pauta, sendo que tais hipóteses não são dadas para sempre, mas conformadas às circunstâncias históricas.
No coração do desdobramento de tais idéias do construtivismo pós-piagetiano, o GEEMPA reconhecia, junto com Gérard Vergnaud, a didática como um novo ramo do conhecimento, capaz de dar conta do trânsito entre quem não sabe algo e passa a sabê-lo; um processo sutil e complexo. Por essas razões, a capacitação dos professores retornava ao centro das atenções e intervenções do GEEMPA, uma vez que nela residia a exigência basilar para que a escola viesse a se tornar a sede do prazer de aprender e ensinar e, assim, um campo fértil ao conhecimento.


Pós-alfabetização no rumo de uma proposta


Após um ano de trabalho intenso (1998 / 1999) com as aprendizagens destes alunos nas áreas de Matemática, Língua Portuguesa e Estudos Sociais, O GEEMPA se lança novamente na divulgação de resultados de pesquisa em cursos de formação de professores interessados no processo da pós-alfabetização de jovens e adultos.

Os frutos positivos com projetos de alfabetização e pós-alfabetização de jovens e adultos conduzem o GEEMPA a concentrar esforços em ações junto a redes municipais e estaduais de ensino, o que vem ocorrendo, atualmente, no caso das Secretarias Municipais de Educação da Prefeituras de Horizontina/RS, (Projeto "Ler e Escrever, um Novo Viver"), de Maranguape/CE (Projeto "Aventura Apaixonada de Alfabetizar de Verdade"), de Canoas/RS (Projeto "Ler e Escrever para Viver Melhor") e, mais recentemente, na Câmara de Deputados, em Brasília/DF (Projeto "Volta aos Estudos").

Sem dúvida, o sucesso do Projeto "Ler e Escrever de Verdade", que havia sido realizado há pouco mais de 5 anos (1997), colhia frutos na disseminação de uma proposta construtivista pós-piagetiana para alfabetização ao atingir plenamente os seus objetivos: 1.000 mulheres alfabetizadas em três meses, em duas etapas, acabando por converter-se em uma das referências nacionais em alfabetização de adultos.

Com a passagem do tempo, a vida institucional havia se transformado e a composição da própria equipe de pesquisa havia sofrido alterações. O antigo GEEMPA renascia nos novos rumos propostos para a instituição, embalando os antigos sonhos de eternidade que haviam sido acalentados por seus fundadores. O GEEMPA dilatava-se e contraía-se como um útero materno para, logo após, expelir a vida gerada em seu interior. As exigências de aprimoramento das pesquisas e ações por ele próprio realizadas haviam construído este percurso. Novamente as fronteiras teórico-conceituais da uma proposta geempiana em educação atingiam um processo de rompimento, só que, desta vez, ruma a uma perspectiva pós-construtivista.


O GEEMPA jovem com há 30 anos atrás

No seu percurso de apenas três décadas de vida, o GEEMPA havia sobrevivido às tribulações do tempo: a morte de alguns queridos companheiros de trajetória de luta, a perda momentânea de outros que logo retornaram à casa, após um período de estudos, e o afastamento definitivo de muitos que jamais retornaram por motivos que o coração desconhece, mas que a razão nunca deixa de contemplar.

Em todos o momentos aqui evocados, vale lembrar, persiste a figura de Esther Pillar Grossi, perceira de debates acalorados e da faina do dia-a-dia institucional. Uma homenagem a ela não seria aqui um mero gesto de reconhecimento a alguém que participou do GEEMPA desde seus tempos primordiais e, com ele, permanece.

Mais do que render homenagem ao mérito de toda uma caminhada de vida dedicada à educação, assinalar o lugar ocupado por Esther Pillar Grossi na própria duração da memória do GEEMPA é elogiar um pensamento que é sempre o sopro de uma nova vida, uma tentativa de viver autrement, um pensar que deseja ultrapassar a vida, enriquecendo-a. Por tudo isso, Esther provoca, irrita, desafia, instiga sem jamais se render à matéria perecível do tempo numa ilusão de duração. Assim como ela, e talvez porque uma parte dela habita em todos nós, é que o GEEMPA permanece hoje tão jovem quanto a mais de 30 anos.

Na linha dos comentários de W. Benjamin, - "o que esquecemos? o que temos razões para lembrar" - é que tentamos aqui nesta Janela do Tempo, modestamente, retomar a memória do GEEMPA, em seus quase 40 anos. Pensar a memória desta instituição significa para todos nós, hoje, investir na reflexão de um tempo ritmado, ao invés de um tempo vulgar, para que possa, assim, embalar os seus instantes fecundos de vida numa causalidade temporal feliz. Saudemos assim, os anos vividos pelo GEEMPA como quem se aprende à vida, pois enquadrar o tempo significa ultrapassar os ultrajes da morte.

Dra. Ana Luiza Carvalho da Rocha

 
Confira:

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