As
finalidades da instituição são
o estudo e a pesquisa para o desenvolvimento das ciências
da educação, a realização
de ações efetivas visando a melhoria
da qualidade do ensino, junto a professores e técnicos
que atuam na área educacional, assim como junto
a autoridades responsáveis pelo planejamento
e execução da política educacional
e a formação e orientação
de professores, técnicos e profissionais ligados à educação.
A história do Geempa é feita da realização
de projetos de pesquisa, de projetos de formação
continuada de professores e de mais de uma centena de
programas de implementação concreta da
ação ensinante a alunos da educação
básica, ininterruptamente durante seus mais de
37 anos de existência.
O Geempa funciona a partir da filiação
de sócios em três categorias, a saber, contribuintes,
efetivos e honorários, em sistema democrático
de escolha de seus dirigentes que além da Diretoria
e do Conselho Fiscal, compreende um Conselho Técnico
Científico, que dentre suas múltiplas atribuições,
decide a passagem dos sócios contribuintes a
efetivos.
São sócios contribuintes as pessoas interessadas
em educação que se filiam ao Geempa, preenchendo
ficha de inscrição, pagando mensalidade
com direito a receber boletim informativo das atividades
do Geempa e a ter desconto em taxas de inscrição
nas atividades de formação continuada de
professores assim como na aquisição de
livros e materiais didáticos produzidos pelo Geempa.
Passam à categoria de sócios efetivos os
sócios contribuintes que apresentam regularmente
produção pedagógica ou científica
avaliada pelo Conselho Técnico Científico
como pertinente com às finalidades do Geempa e
somente a eles são outorgadas tarefas avalizadas
pela entidade. São sócios honorários
aqueles que prestaram relevantes e reconhecidos serviços à causa
educacional cujos currículos são analisado
em assembléia geral dos sócios do Geempa.
A Diretoria e o Conselho Fiscal do Geempa são
eleitos a cada 3 anos. O Conselho Técnico Científico
do Geempa é hoje constituído por 17 doutores,
13 mestres e 23 especialistas.
As atividades do Geempa são conduzidas de forma
interdisciplinar com a contribuição de
professores em diversas disciplinas escolares, de especialistas,
mestres e doutores, em várias áreas do
conhecimento e gestores com competências específicas.
Fruto deste histórico o Geempa produziu mais 40
títulos de livros e 10 números de periódico
corrente.
Nasce
um grupo de estudos sobre o ensino da Matemática
O
GEEMPA foi organizado por um grupo de 50 professores
presentes à assembléia de sua fundação,
realizada a 10 de setembro de 1970, na sala do Laboratório
de Matemática do Instituto de Educação
General Flores da Cunha. Nos moldes de uma organização
não-governamental, sem fins lucrativos, o GEEMPA
reunia profissionais decididos a investir em pesquisas
e ações voltadas para a melhoria do ensino
da Matemática, segundo o estatudo das vinculações
com a formação e o desenvolvimento da
inteligência, na perspectiva do construtivismo
piagetiano.
Há mais 37 anos, portanto, a sigla GEEMPA - Grupo de Estudos sobre o Ensino
da Matemática de Porto Alegre - já exprimia claramente o centro
das preocupações desta instituição com a pesquisa
científica na área de ensino-aprendizagem, a partir de experiências
de propostas didático-pedagógicas em classes experimentais. Foi
ainda com esta denominação que o GEEMPA funcionou até 1983,
realizando importantes atividades de formação pessoal, de pesquisa
e de divulgação do ensino da Matemática, sob a influência
dos clássicos estudos piagetianos desenvolvidos no Centro Internacional
de Epistemologia Genética (fundado no ano de 1955, em Genebra, sob os
auspícios da Fundação Rockefeller) e das decisivas contribuições
do Prof. Zoltan Paul Dyenes (da Hungria), que preconizava o estudo da Didática
da Matemática e o espaço da sala de aula como um laboratório
de investigação.
Os
verdes anos de um grupo que desde logo se dedicou à pesquisa
Na
trilha de pesquisas e estudos da Educação
Matemática do GEEM, Grupo de Estudos sobre o
Ensino da Matemática, de São Paulo, e
dos encontros latino-americanos e europeus promovidos
pelo Internetional Study Group for Mathematics Learning
(ISGML), realizados na Hungria, Itália, Inglaterra
e em outros países com desdobramentos na América
Latina através de encontros de sua regionais
em vários países, o GEEMPA inicia, nos
anos 70, sua sólida reputação
de instituição de pesquisa. Passados
menos de três anos de sua
fundação,
em fins de 1973, esta instituição já havia
organizado, com outros pesquisadores do mundo, a construção
de uma proposta didática para o ensino da Matemática
na oito séries do ensino de 1º Grau, através
da sua participação num projeto de pesquisa
transcultural que reunia diversos países (Canadá,
Estados Unidos, Hungria e Brasil), tendo obtido, em
termos comparativos, os melhores resultados de pesquisa
num exigente e amplo design investigativo sobre o ensino
da Matemática Moderna

Mestranda francesa
estagia no Geempa.
Primeiros
espaços de ocupação do GEEMPA
Em 1970, depois de assembléia de fundação,
na sala do Laboratório de Matemática
do Instituto de Educação, o GEEMPA foi
albergado pelo Instituto de Matemática da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul e sua sede não
foi mais do que um vão de escada no 3º andar
do seu prédio, à rua Sarmento Leite.
Do vão de escada, o GEEMPA, no próprio
Instituto de Matemática, ocupou uma bela sala
no alto de um dos torrões do prédio,
de onde coordenou a I Jornada de Estudos de Matemática,
com a presença do Dr. Zoltan Dienes.
Seu terceiro chão foi uma sala no colégio
Julio de Castilhos, junto ao Centro de Ciências
do Rio Grande do Sul (CECIRS).
Construindo um campo de atuação aberto às
novas idéias, o GEEMPA, em 1978, consolida-se,
assim, como instituição ao adquirir sua
primeira sede, localizada à rua Luiz Manoel,
230 apto. 8. No decorrer do tempo, a ampliação
dos sócios, das atividades de pesquisa e de
suas ações tornaria pequena a primeira
morada do GEEMPA. Boletins informativos, encontros
entre pesquisadores, publicações, jornadas
de estudos, palestras, seminários e cursos de
formação faziam da sede do GEEMPA um
foco de irradiação de novas e criativas
linhas de pesquisa e investigação sobre
o processo de ensino-aprendizagem, nos moldes dos grandes
centros de estudos internacionais.
A venda de sua primeira sede torna-se, em fins dos
anos 70, uma exigência face ao momento que se
vivia de intensa criação e produção.
Sempre velando por seu compromisso irrestrito com o
destino do ensino e a pesquisa em Educação,
a instituição muda novamente de endereço,
situando-se agora na Rua Augusto Pestana, 72, apto.
6. Um simpático edifício, situado no
bairro Bonfim. Uma nova morada onde seria possível
abrigar a expansão das atividades da equipe
de pesquisa da instituição tanto quanto
acolher as atividades dos professores em processo de
formação pelo GEEMPA, o berço
de novas aventuras.
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Tomás
Varga - 1975 |
Maurice Glayman - 1976 |
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Zoltan Dienes - 1972 |
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GEEMPA
muda de nome, mas conserva a sigla
Já nesta época pode-se observar o nascimento
de alguns dos lemas que hoje a sigla GEEMPA veicula em
suas ações: "só ensina quem
aprende" e "todos podem aprender".
Chega-se, assim, ao ano de 1983. Em Assembléia
Geral Extraordinária convocada po sua Diretoria,
tendo como pauta a reforma dos Estatutos, os sócios
do GEEMPA decidem pela alteração do nome
da instituição tendo em vista a própria
vitalidade de sua atuação irrestrita na área
da Educação. Ampliam-se os objetivos estatuários,
mas mantém-se a mesma sigla. O GEEMPA passa, então,
a denominar-se Grupo de Estudos sobre Educação,
Metodologia de Pesquisa e Ação, tendo por
finalidade o estudo, a pesquisa e a ação
para o desenvolvimento das ciências da educação.
Portanto, foi nos ritmos instaurados por uma intensa
atuação ao longo da década de 70
que o GEEMPA dos anos 80 encaminha-se para sua adolescência.
Os frutos de um trabalho meticuloso de pesquisa no âmbito
das salas de aula, em classes experimentais, junto ao
seu compromisso com a educação popular,
começam a ser colhidos. No ano seguinte surge
o primeiro Curso de Especialicação sobre
Alfabetização em Classes Populares, na
cidade de Porto Alegre / RS e, em 1985, forma-se a primeira
turma de professores alfabetizadores capacitados nos
quadros de uma pedagogia geempiana. Nos anos subseqüentes,
a experiência será repetida com sucesso,
em Porto Alegre, sendo disseminada progressivamente para
outras cidades do estado e do país, como Rio de
Janeiro, Niterói, Passo Fundo, Recife, São
Paulo, São José do Rio Preto entre outras
cidades.
Agora
em terra firme: Sede na rua Lopo Gonçalves
Passados mais
de 15 anos de sua fundação,
em 1988 o GEEMPA muda novamente de endereço, tendo
sido adquirida sua sede atual, à rua Lopo Gonçalves,
511. Uma bela casa ao estilo da arquitetura dos anos
40, com espaços para duas grandes salas de aula,
uma ampla sala de reuniões, secretaria, recepção
e cinco gabinetes de trabalho onde passam a funcionar
seus departamentos de pesquisa. A vida institucional
desde aí ganha novos contornos, mais precisos
e mais profundos. Acrescendo-se de novos eixos temáticos
de investigação e de novos pesquisadores,
a instituição amplia ainda mais suas áreas
de pesquisa e suas ações para além
das fronteiras locais da sede.
Com intensa produção da equipe de pesquisa
do GEEMPA, resultaram na publicação, pela
Editora Kuarup, de seus primeiros livros: "Fazendo
arte na alfabetização", "Alfabetização
em classes populares" (1984) e "Alfabetização
em novas bases" (1989), além de outras publicações
realizadas pelo GEEMPA (cadernos, boletins, informativos)
que progressivamente delineavam a sua marca singular
no campo de estudos em torno da educação
popular no país.
A próxima década seria, não só um
tempo de colheita, mas um tempo de descobertas de novas
formas de fecundar a "árvore do conhecimento".
Os anos 90 irão forjar novos paradigmas para a
pedagogia geempiana, os quais se anunciavam nos anos
80, ou seja, uma proposta construtivista pós-piagetiana
de alfabetização para além do construtivismo
piagetiano. Isto impunha novos desafios. Não se
tratava apenas de prosseguir placidamente a linha de
trabalhos que haviam inspirado as pesquisas de Jean Piaget
sobre a construção da inteligência
e se refletiam nos estudos da psicogênese da leitura
e da escrita realiados por Emilia Ferreiro, ou de simplesmente
seguir à risca a pedagogia do oprimido, na linha
da proposta de Paulo Freire.
Colaborando
com Secretarias de Educação
e as Vanguardas Pedagógicas
O tempo para
se aventurar em novas terras era propício.
A chegada dos anos 90 abria novas e diferentes perspectivas
para a equipe de pesquisa do GEEMPA em suas atuações
de assessoria e consultoria junto às secretarias
de educação, um movimento que já vinha
ocorrendo, desde os anos 80, como foram os casos, por
exemplo, da atuação do GEEMPA na Secretaria
de Educação de Cachoeira do Sul / RS, Secretaria
de Educação de Cuiabá / MS, Secretaria
de Educação de Campinas / SP, Secretaria
de Educação de Caxias do Sul / RS entre
outras. Em 1989, a Coordenadora de Pesquisa da instituição,
Professora Dra. Esther Pillar Grossi, assumia o cargo
de Secretária Municipal de Educação
de Porto Alegre e propôs o desafio de implantar
uma proposta construtivistas nas escolas municipais.
Um profícuo trabalho de colaboração
entre o GEEMPA e a SMED/POA, fez com que a equipe de
pesquisa da instituição, durante os quatros
anos que a Profa. Esther Pillar Grossi esteve na Secretaria
da Educação, atuasse pontualmente no processo
de formação de professores de séries
iniciais das escolas da rede municipal. Na mesma ocasião,
o projeto de formação de professores alfabetizadores, "Vanguardas
Pedagógicas, alfabetização construtivista",
traduzia-se na parceria do GEEMPA com a Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
A série de publicações "Cadernos
das Vanguardas Pedagógicas" que seguiram
estes anos de trabalho junto a professores de várias
cidades do Rio Grande do Sul tornou-se um produto significativo
de três anos de atuação na área
de formação de docentes para as séries
iniciais do ensino fundamental.
Encerrada esta etapa, o GEEMPA retorna ao núcleo
de suas reflexões e prosegue na realização
de suas pesquisas nas áreas de Artes, Matemática,
Estudos Sociais, em classes experimentais, além
de promover novos recursos de especialização
sobre os fundamentos teóricos e práticos
da didática e pedagogia geempianas, seminários
sobre educação infantil e jornadas de estudos
sobre interlocução científica. Entre
a equipe de pesquisa permanecia a incômoda interrogação
em torno dos limites do construtivismo piagetiano para
a construção de uma proposta didática
de ensino-aprendizagem.
A experiência de envolvimento com o processo de
generalização de uma proposta construtivista
no âmbito de redes formais de ensino resultou em
uma nova etapa de reflexões para a equipe de pesquisa
do GEEMPA, cuja feição profissional se
havia alterado em relação ao passado da
própria instituição.
Vanguardas pedagógicas: 1991 - 1992
- 1993 |
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GEEMPA
pós-Piagetiano
Os questionamentos teóricos e conceituais que
vinham se processando internamente entre a equipe de
pesquisadores, ao longo dos anos, haveriam de alterar
o destino da vida institucional. A pesquisa em classes
experimentais, as assessorias e consultorias, os cursos
diversos de formação de professores, as
ações junto a secretarias de educação
e escolas haviam conduzido o GEEMPA, cada vez mais,
para um processo de ruptura com antigos paradigmas
sobre o
aprender e o ato de ensinar.
O momento certo havia chegado. A decisão foi a
de retomar a audácia do gesto que presidia a memória
do próprio ato de fundação do GEEMPA
e, honrando seu próprio passado, autorizarmo-nos
a ir além. Incomensurável memória
aquela que nos guia aos tempos primordiais. No auge desta
febre do tempo, o termo construtivismo pós-piagetiano é,
então, cunhado por sua equipe de pesquisadores
que recusava a monótona fatalidade da morte do
espírito de investigação que havia
gerado o GEEMPA e do qual eram herdeiros.
Nascia, assim, uma proposta construtivista pós-piagetiana
em Educação, em meados da década
de 90, único caminho possível para o GEEMPA
estabelecer, na ocasião, as fronteiras simbólicas
da atuação desta instituição
no âmbito dos diversos paradigmas existentes
para a teoria construtivista da aprendizagem.
Vira
Brasília e Educação
Num
prazo de dois anos (1995 / 1996), o projeto "Muda
Brasil, a Educação" - realizado em
duas etapas, com a subvenção do MEC / FNDE
- é executado e produz seus efeitos. Um projeto
voltado para a construção de uma proposta
didático-pedagócica para o ensino fundamental,
alfabetização e pós-alfabetização,
com base no construtivismo pós-piagetiano advogado
pelo GEEMPA, apoiado, mais uma vez, em estudos nas salas
de aulas de escolas que pertenciam às redes estaduais
e municipais de ensino de Porto Alegre.
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O comportamento da instituição com o aprimoramento
da pesquisa e dos estudos em educação popular
e, no seu bojo, com a socialização da experiência
positiva do projeto "Muda Brasil, a Educação" resultou
na produção de uma publicação, "Roteiro
de Alfabetização - O Prazer de se fazer
leitor", a pedido do Ministério da Educação,
publicação esta que reunia parte da experiência
do GEEMPA com a criação e a utilização
de materiais didáticos voltados para uma proposta
construtivista pós piagetiana geempiana de alfabetização.
Reafirmando suas convicções de que as aprendizagens
se realizam mediante a resolução de problemas,
o GEEMPA participa em atividades de formação
de professores alfabetizadores, no Projeto "Vira
Brasília a Educação", no Distrito
Federal. A participação dos professores
tinha uma condição: eles deveriam estar
necessariamente atuando junto a uma turma de alunos.
O projeto atingia a rede de ensino público do
Distrito Federal e as salas de aulas de 3.000 docentes,
de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries.
Novamente o GEEMPA recolhia, com esta experiência,
subsídios para estudar as formas de generalização
de sua proposta em redes de ensino formal.
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Alfabetização
de adultos 1.000 mulheres
Assim foi que, ao longo de um período de quatro
anos, e culminando no ano de 1998, os pesquisadores
do GEEMPA reiniciam suas ações na área
de educação popular, a partir do Projeto "Ler
e Escrever de Verdade", novamente por demanda
do MEC, em parceria com a ONG THEMIS.
O GEEMPA que havia se dedicado, em sua tenra infância
ao estudo da Didática da Matemática e,
na sua pré-adolescência, se voltara para
a pesquisa com alfabetização de crianças
e jovens de classes populares, iniciava-se na aventura
do trabalho de alfabetização de 1000
mulheres jovens e adultas, em 3 meses, todas elas moradoras
de periferias da cidade de Porto Alegre. A bússola
para esta aventura em outras terras eram as experiências
de mais de 20 anos da instituição em
classes de alfabetização, com crianças
e jovens de classes populares, além do excelente
trabalho de Irene Terezinha Fuck, "Alfabetização
de Adultos", produzido como monografia de conclusão
do Curso de Especialização ministrado
pelo próprio GEEMPA e, posteriormente, por seu
mérito, publicado pela Editor Vozes.
A experiência com o projeto "Ler e Escrever
de Verdade" culmina, assim, com o longo processo
de maturação de uma proposta construtivista
pós-piagetiana na área de educação
popular. Para a pedagogia geempiana, o ser humano fica
inteligente na medida em que aprende, e todos podem
aprender. Idéias simples, mas revolucionárias,
que impõem por si mesmas a redefinição
do lugar da escola nas aprendizagens humanas, uma vez
que se tornam a condição necessária
para o acesso aos conhecimentos complexos que as ciências
produziriam ao longo do tempo.
1000 mulheres aprendem a ler em 3 meses
- 1997 |
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O
GEEMPA pós-construtivista
A
experiência
de mais de 20 anos de pesquisa no GEEMPA,
acumulada na área de formação
de professores e das aprendizagens de crianças,
jovens e adultos, dentro e fora das redes formais de
ensino, em classes laboratórios e fora delas,
e em diferentes áreas de conhecimento (Matemática,
Português, História, Artes e Geografia),
apontava para o fato de que o fracasso e a evasão
escolares, principalmente em segmentos populares, não
são decorrentes da prática da avaliação
escolar, mas devem-se à ausência de proposta
pedagógicas que levem em conta os esquemas de
pensamento dos alunos. Isto é, o professor precisa
considerar, na sua prática didático-pedagógica,
o processo de aprender dos seus alunos, segundo as diferentes áreas
do conhecimento a que se dedica.
Poder-se-ia dizer que as conclusões das pesquisas
se esgotariam com o projeto "Ler e Escrever de Verdade".
Ao contrário, elas se dilatavam, se expandiam,
invadindo novos domínios do conhecimento, num
processo sem retorno às velhas certezas. O GEEMPA
advogaria, a partir deste momento, uma redefinição
da escola em suas bases e estratégias didáticas
e pedagógicas. O instrumento mais poderoso que
se precisa ser colocado à disposição
do professor é o "saber ensinar". E,
para que a "ensinagem" se processe, o professor
precisa compreender, por um lado, que o ato de aprender
consiste na elaboração de esquemas de pensamento
e ação e que este ato possui uma dinâmica
tributária de reconhecimento e sustentação
do lugar daquele que ensina. Por outro lado, o professor
necessita compreender que a construção
desses esquemas de pensamento se enraíza nos contextos
sociais e culturais e na convivência com as representações
simbólicas dos alunos, as quais exigem uma intervenção
direta e especial do docente a partir dos conceitos científicos
que serão transpostos no contexto dos procedimentos
e situações em sala de aula.
Os avanços na delimitação das fronteiras
entre o construtivismo piagetiano e o construtivismo
pós-piagetiano levaram o GEEMPA a uma afirmação
contundente, fundamentada por todo um campo de pesquisas
sobre ensino-aprendizagem: a base da produção
do conhecimento no espaço escolar reside na compreensão
do ensino como um caminho de duas mãos. Em uma
delas, estão as atividades didáticas preparadas
pelo professor. Na outra, estão os esquemas de
pensamento dos alunos, ou seja, as hipóteses que
eles fazem no rumo dos conceitos em pauta, sendo que
tais hipóteses não são dadas para
sempre, mas conformadas às circunstâncias
históricas.
No coração do desdobramento de tais idéias
do construtivismo pós-piagetiano, o GEEMPA reconhecia,
junto com Gérard Vergnaud, a didática como
um novo ramo do conhecimento, capaz de dar conta do trânsito
entre quem não sabe algo e passa a sabê-lo;
um processo sutil e complexo. Por essas razões,
a capacitação dos professores retornava
ao centro das atenções e intervenções
do GEEMPA, uma vez que nela residia a exigência
basilar para que a escola viesse a se tornar a sede do
prazer de aprender e ensinar e, assim, um campo fértil
ao conhecimento.
Pós-alfabetização
no rumo de uma proposta
Após um ano de trabalho intenso (1998 / 1999)
com as aprendizagens destes alunos nas áreas
de Matemática, Língua Portuguesa e Estudos
Sociais, O GEEMPA se lança novamente na divulgação
de resultados de pesquisa em cursos de formação
de professores interessados no processo da pós-alfabetização
de jovens e adultos.
Os frutos positivos com projetos de alfabetização
e pós-alfabetização de jovens
e adultos conduzem o GEEMPA a concentrar esforços
em ações junto a redes municipais e estaduais
de ensino, o que vem ocorrendo, atualmente, no caso
das Secretarias Municipais de Educação
da Prefeituras de Horizontina/RS, (Projeto "Ler
e Escrever, um Novo Viver"), de Maranguape/CE
(Projeto "Aventura Apaixonada de Alfabetizar de
Verdade"), de Canoas/RS (Projeto "Ler e Escrever
para Viver Melhor") e, mais recentemente, na Câmara
de Deputados, em Brasília/DF (Projeto "Volta
aos Estudos").
Sem dúvida, o sucesso do Projeto "Ler e
Escrever de Verdade", que havia sido realizado
há pouco mais de 5 anos (1997), colhia frutos
na disseminação de uma proposta construtivista
pós-piagetiana para alfabetização
ao atingir plenamente os seus objetivos: 1.000 mulheres
alfabetizadas em três meses, em duas etapas,
acabando por converter-se em uma das referências
nacionais em alfabetização de adultos.
Com a passagem do tempo, a vida institucional havia
se transformado e a composição da própria
equipe de pesquisa havia sofrido alterações.
O antigo GEEMPA renascia nos novos rumos propostos
para a instituição, embalando os antigos
sonhos de eternidade que haviam sido acalentados por
seus fundadores. O GEEMPA dilatava-se e contraía-se
como um útero materno para, logo após,
expelir a vida gerada em seu interior. As exigências
de aprimoramento das pesquisas e ações
por ele próprio realizadas haviam construído
este percurso. Novamente as fronteiras teórico-conceituais
da uma proposta geempiana em educação
atingiam um processo de rompimento, só que,
desta vez, ruma a uma perspectiva pós-construtivista.
O
GEEMPA jovem com há 30 anos atrás
No
seu percurso de apenas três décadas
de vida, o GEEMPA havia sobrevivido às tribulações
do tempo: a morte de alguns queridos companheiros de
trajetória de luta, a perda momentânea
de outros que logo retornaram à casa, após
um período de estudos, e o afastamento definitivo
de muitos que jamais retornaram por motivos que o coração
desconhece, mas que a razão nunca deixa de
contemplar.
Em todos o momentos aqui evocados, vale lembrar,
persiste a figura de Esther Pillar Grossi, perceira
de debates
acalorados e da faina do dia-a-dia institucional.
Uma homenagem a ela não seria aqui um mero gesto
de reconhecimento a alguém que participou
do GEEMPA desde seus tempos primordiais e, com ele,
permanece.
Mais do que render homenagem ao mérito de toda
uma caminhada de vida dedicada à educação,
assinalar o lugar ocupado por Esther Pillar Grossi
na própria duração da memória
do GEEMPA é elogiar um pensamento que é sempre
o sopro de uma nova vida, uma tentativa de viver autrement,
um pensar que deseja ultrapassar a vida, enriquecendo-a.
Por tudo isso, Esther provoca, irrita, desafia, instiga
sem jamais se render à matéria perecível
do tempo numa ilusão de duração.
Assim como ela, e talvez porque uma parte dela habita
em todos nós, é que o GEEMPA permanece
hoje tão jovem quanto a mais de 30 anos.
Na linha dos comentários de W. Benjamin, - "o
que esquecemos? o que temos razões para lembrar" - é que
tentamos aqui nesta Janela do Tempo, modestamente,
retomar a memória do GEEMPA, em seus quase 40
anos. Pensar a memória desta instituição
significa para todos nós, hoje, investir na
reflexão de um tempo ritmado, ao invés
de um tempo vulgar, para que possa, assim, embalar
os seus instantes fecundos de vida numa causalidade
temporal feliz. Saudemos assim, os anos vividos pelo
GEEMPA como quem se aprende à vida, pois enquadrar
o tempo significa ultrapassar os ultrajes da morte.
Dra. Ana Luiza Carvalho da Rocha